Entre a Recuperação e a Incerteza: Um Olhar sobre a Economia Argentina
- geralprospectus
- 28 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Texto escrito por um especialista da nossa rede.
A ordem fiscal (após muitos anos de déficit sustentado), a menor emissão de pesos e a desaceleração da inflação geram otimismo no mercado argentino.
Como pontos de interrogação, vejo a sustentabilidade da apreciação do peso argentino, que faz o país perder competitividade externa, e a não acumulação de reservas. Isso porque, se essa valorização não estiver ancorada em uma melhora sustentada da produtividade argentina, pode se tratar apenas de uma valorização momentânea. Isso pode levar a uma maior demanda por dólares "baratos" para turismo, importações, etc.
Não considero isso um problema se for consequência de um aumento genuíno da produtividade ou de uma entrada significativa de divisas por exportações (como Vaca Muerta, lítio, cobre, entre outros), mas isso ainda não está claro.
Ao longo de sua história, a Argentina passou por crises, "cepos", calotes e uma alta volatilidade financeira, o que dificultou o investimento externo de longo prazo. Sem uma expectativa sólida e duradoura de estabilidade macroeconômica e financeira, atrair investimentos estrangeiros em setores como a indústria torna-se mais complexo.
Nesse sentido, considero necessárias reformas estruturais — como a trabalhista, tributária e previdenciária, entre outras — para criar um ambiente mais favorável a esse tipo de investimento. Será fundamental observar se essas duas dinâmicas se consolidam (queda da inflação e sustentabilidade do regime cambial), somadas a certas reformas estruturais, para que o país consiga atrair investimentos de longo prazo.
No curto prazo, vejo que o consumo (especialmente o consumo de massa) enfrenta uma contração, o que adiciona mais uma incerteza ao cenário já citado. A contração do consumo impacta negativamente a atividade econômica ao reduzir a demanda agregada, afetando especialmente as PMEs, que são um dos principais motores de emprego e arrecadação.

Sem uma melhora no poder de compra, o apoio político que o governo possui atualmente pode enfraquecer, o que dificultaria a sustentabilidade do ajuste no médio prazo. Em um ano eleitoral, também será fundamental observar a aprovação (ou não) da população e estar atento à volatilidade financeira típica dos anos eleitorais na Argentina.
![[PROSPECTUS] LOGO 1_edited.png](https://static.wixstatic.com/media/f70cb0_2bd4db05284d43b7b4ac1c5805095821~mv2.png/v1/fill/w_230,h_57,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/%5BPROSPECTUS%5D%20LOGO%201_edited.png)



Comentários